História da Guitarra Flamenca

A guitarra flamenca, é muito parecida a guitarra clássica (violão clássico), são descendentes do alaúde. Pensa-se que as primeiras guitarras terão aparecido em Espanha no século XV. A guitarra flamenca tradicional é feita de madeira cipreste e abeto, é mais leve que a guitarra clássica, com o objetivo de produzir um som mais agudo.

Uns acreditam que ela é derivada do alaúde assírio e que, através da Pérsia e Arábia, chegou à Europa. Outros, que ela vem da cítara romana, que tem origem assiria e grega.

Onde tudo começou

“Ziryab” é considerado por estudiosos do assunto como o personagem fundamental da introdução e enraizamento da guitarra na Espanha. Segundo Félix Grande, que remete aos trabalhos de E. Leví Provenzal “La civilización árabe en España”, “Ziryab”, que significa “pássaro negro”, nasceu na Mesopotânia (em Bagdá) no ano de 789 dc, e foi assim apelidado devido a cor escura de sua pele.

No seu país “Ziryab” alcançou grande reputação como um músico, de modo a que o califa perguntou Ishaq al-MAWSILI, mestre do “Ziryab”, se o jovem músico poderia tocar para ele. Tanto se agradou de sua música que despertou o ciúme de seu mestre, a ponto de conseguir que o “pássaronegro” foi desterrado para bem longe do reino. Assim”Ziryab” foi a procurar a sua sorte no Ocidente, particularmente na Andaluzia. Quando ‘Ziryab’ cheguou à Espanha no ano 822, tinha pouco mais de trinta anos, ficando no país até a sua morte, em ano 857. Durante esse tempo foi um indiscutível modelo de elegância e do promotor de todas as novas modas que prevaleceram desde então, não só na aparência, mas também na forma de viver dos muçulmanos na Andalucia.

Em sua verdadeira profissão, a música, Ziryab “, segundo nos dizem seus biógrafos, foi o grande inovador em suaterra adotiva, que o havia recebido com tanto entusiasmo. Criou um conservatório onde a música andaluza, então muito semelhante com escola oriental de Ishaq al-MAWSILI, rapidamente se tornou diferente e origial, cuja tradição foi mantida por todo ocidente mulçumano. Além disso, deixou várias invenções, como, por exemplo, um alaúde de cinco cordas, que substituiu o alaúde tetracorde, até então o único conhecido.

No final do século XV e início do século XVI começou um período em que o desenvolvimento técnico em construção de guitarras tipo viola recebeu um grande impulso na Espanha. Apareceram também as primeiras normas reguladoras referidas a esses instrumentos, como as Ordenanzas de Violeros de Sevilla de 1502.

Em meados do século XVI já não havia distinção entre a guitarra mourisca e a latina; o nome também se unificava para simplesmente guitarra. Desde os tempos antigos, já havia uma tradição andaluza na construção de

instrumentos musicais de cordas do tipos viola e guitarra. Estes instrumentos chegaram a se fundir no final do século XVI. A diferença entre viola e guitarra é o do número de cordas do instrumento. Naquela época, havia guitarras com quatro e cinco cordas, enquanto a viola tinha cinco, seis e sete cordas.

A Guitarra flamenca no século XIX

Antonio Torres Jurado

Gradualmente a guitarra vai se transformando e pode-se dizer que é no século XIX, quando atinge a forma e a sonoridade que hoje conhecemos. A guitarra espanhola se tornou conhecida em todo o mundo, especialmente a produzida na Andalucia. A que era manufaturada em Cadiz chegou a gozar do status do famoso violino “Stradivarius”.

Também no século XIX os guitarristas, tanto da Europa como da América Latina, desenvolveram os fundamentos utilizados até hoje. Atribui-se a Antonio Torres Jurado (1817-1892) a autoria da transformação do instrumento que resultou na guitarra espanhola, tal como a conhecemos. Torres Jurado foi um artesão de Almeria, radicado em Sevilla, dedicado à construção guitarras. Deu ao seu  modelo de guitarra um som superior ao do que usava naquele momento.

A era de Julián Arcas

Julián Arcas nasceu em 25 de outubro de 1832 em Villa María (Almería). Seu pai, apreciador de um bom violão, foi determinante ao influenciar seu filho a trilhar pelo caminho artístico.

Quando a família de Arcas se mudou para Málaga, Julián tinha doze e nesta cidade continuou a estudar guitarra. Lá ele ofereceu seu primeiro concerto os dezesseis anos; um grande triunfo para um guitarrista tão jovem. Este triunfo inicial facilitou sua entrada em Granada e Madri, sempre alcançando um grande sucesso. A partir daí sua progressão nunca mais parou. Tanto é que aos vinte anos já era considerado um guitarrista.

No início da década de cinquenta visitou Sevilla e este feito resultou em um dos capítulos mais importantes da história da guitarra flamenca: um encontro entre Julián Arcas e Antonio Torres Jurado, que nesta época só tocava ocasionalmente. Antônio, que produzia excelentes guitarrs, pediu para que

Arcas tocasse em uma delas. Antonio ficou tão impressionado com o resultado que sugeriu a Arcas que se dedicasse a construção de guitarras futuramente. Naquele momento uma amizade entro o músico e o construtor de guitarras se selou para sempre.

Julián Arcas, embora um concertista da linha clássica, aproximou-se de alguns estilos flamencos. Este contato se deu em um período em que o flamenco se encontrava em amadurecimento. Por vezes, Julián Arcas é apresentado somente como um guitarrista clássico, mas isso não corresponde a verdade. O maestro

Otero se referiu a ele nos seguites termos: ” Este célebre guitarrista foi o melhor da sua época, pois os tocaoreatuais, quando executam alguma composição na guitarra, costumam dizer para sua audiência: Siguiyas gitanas de Arcas; malagueñas, jaberas ou granaínas de Arcas; e quase todos os toques ou  falsetas levam o selo de Arcas.”

José Patiño González, um tocaor

Na mesma época de Arcas existiu outro guitarrista que se destacou em outra falceta fundamental do toque flamenco, o acompanhamento ao cantor. Se trata do Maestro Patiño. Jose Patiño Gonzalez, guitarrista gaditano nascido em 1829, concentrou seus esforços em conseguir que a guitarra pudera adaptar-se ao tons do cantores e ao contrário com se fazia até então.

Naquele tempo as possibilidades da guitarra de acompanhamento eram limitadas as duas formas simples: O cante “por Arriba” (MI) e o Cante “por medio” (LA). O Maestro Patiño ao inventar a Cejilla (capotrasto) provavelmente ajudado pelo cantor Paquirri “El Canté”, abria um leque de opções possibilitaram maior liberdade e expressão artística para cantores e cantoras.

Segundo Ricardo Molina e Antonio Mairena (“Mundo y Formas del Cante Flamenco”): A “A guitarra flamenca ou andaluza aparece historicamente como exclusivamente de acompanhamento ao cante até meados do século XIX.

Na segunda metade do século XIX, com o auge dos “Cafés Cantantes”, o flamenco inicia um processo de desenvolvimento guitarrístico o que favorece tanto o acompanhamento do cante quanto ao baile. É um passo importante para posteriormente chegar ao lugar previlegiado como guitarra solista.

Desde um ponto de vista técnico, a guitarra flamenca, como instrumento de concerto foi influenciada pela guitarra clássica (violão classico) o que pode ser notado mas gravações dos principais guitarristas flamencos daquela época.

A partir da década de 60 surgem os principais guitarristas flamencos de concerto, mais isso fica para um outro post.

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